Um pouco antes de me formar, eu constitui uma família e, como tantas mães jovens, nem preciso explicar por que os planos precisaram esperar. A partir daí, surgiram inúmeros desafios: conciliar estudos, estágio, cuidar de minha filha e do nosso novo lar. Tudo era muito novo e para essa empreitada não houve tempo para treino, rascunho. Tudo foi feito de primeira mão, na base da tentativa e erro. Não havia a opção desistir. Era preciso enfrentar cada obstáculo e, talvez, um dos mais difíceis, foi continuar na área com uma rotina extenuante, sem férias, com uma filha pequena e sem estabilidade financeira.
Iniciar uma vida em família antes de ter uma formação profissional não foi uma escolha planejada e me impôs um amadurecimento precoce e uma acelerada no ritmo de vida. Foi uma árdua caminhada, com experiências profissionais que por pouco não me desviaram do objetivo traçado. E foi diante deste cenário que surgiu uma oportunidade de trabalhar na área de Educação. Aceitá-la, naquele primeiro momento, significava “ganhar” os fins de semana com minha família, conciliar minhas férias com as férias escolares de minha filha, uma proposta tentadora.
E assim, dei meus primeiros passos na área educacional, antes de finalizar meu curso. O que parecia uma escolha temporária, foi ganhando corpo e, ao conquistar a tão almejada formatura, o que parecia um passaporte para o meu projeto de vida, na verdade, me levou a novos compromissos que me conduziram por uma linha paralela ao que havia determinado. Tomei minha primeira grande decisão profissional: mudar de rumo.
A partir daí, o que posso dizer é que eu me encantei pela nova área. Recomecei fazendo uma nova graduação e uma especialização. Era imperativo plantar novas sementes para que uma nova carreira profissional pudesse crescer e frutificar. Foram longas horas dedicadas ao estudo, aulas, estágios, sempre conciliando com o trabalho e as tarefas de casa.
Estava sempre sentindo muita saudade de minha filha. Muitas vezes, ela me acompanhou nas aulas e no trabalho só para ficarmos mais tempo juntas. Com ela, tinha a garantia de momentos memoráveis, repletos de desenhos e recadinhos nos meus novos conjuntos de cadernos universitários.
A cada nova dificuldade eu me agarrava aos pequenos frutos colhidos. Aos poucos, fui saboreando os momentos a mais que ganhei ao lado de minha família, desfrutei também da enorme satisfação de aplicar os novos conhecimentos no trabalho e na incessante tarefa de educar minha filha e fortalecer minha família, e tudo isso foi dando cores novas à minha vida.
Não há nada na minha trajetória que eu não considere necessário para eu ter me tornado quem eu sou hoje. Quando estou atuando na minha vida profissional, percebo o quanto cada experiência vivida me fortaleceu e me impulsionou a chegar onde estou hoje. Longe de ser um “mar de rosas”, minha carreira na área educacional é repleta de sentido, com um repertório que me preenche e me enche de orgulho.
E o projeto de vida? Os planos não mudaram, apenas foram adormecidos. O que mudou mesmo foi o ritmo. Não tenho mais aquela pressa de antes. Vejo a vida mais como uma grande oportunidade de aproveitar a colheita do que de fazer grandes semeaduras. Isso não significa que eu não esteja semeando. A diferença está no que norteia tudo isso.
Agora, sinto que sou guiada pelas estações, respeitando o tempo de cada plantio, selecionando as melhores sementes, e colhendo as experiências disso. Aprendi que a renovação é diária, privilegiando o presente, com foco no que verdadeiramente faz sentido para mim e, de forma consciente, aproveitando os frutos de tudo. Com boas ações e boas semeaduras, a colheita é constante, como é na natureza da qual somos todos parte.
